2:11 am - segunda-feira setembro 9, 2013

‘Ou vivia refém ou tomava o poder da comunicação’, diz Daniela Mercury

Cantora falou ao ‘Estado’ pela primeira vez desde que assumiu seu relacionamento com uma mulher, na semana passada

 

Daniela Mercury sugere que outros cantores "no armário" ergam a bandeira - Reprodução
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Daniela Mercury sugere que outros cantores “no armário” ergam a bandeira

“Ou se assume o ônus de quebrar padrões ou você vive numa posição de discriminado.” A declaração é da cantora Daniela Mercury, que falou ao Estado pela primeira vez desde que assumiu seu relacionamento com uma mulher, na semana passada. Na entrevista, ela sugere que outros cantores “no armário” ergam a bandeira. “Se não houvesse uma incompreensão do que é o amor entre duas mulheres ou dois homens, tudo seria diferente.”

O que a fez tornar público seu relacionamento com a jornalista Malu Verçosa?
Daniela Mercury - 
Foi a necessidade de sermos respeitadas. Eu, como uma pessoa famosa, sabia que só havia dois caminhos: ou vivia refém, acuada e com medo de ser discriminada e ter minha vida tratada como fofoca por algum veículo pouco sério, ou tomava para mim o poder da comunicação sobre a minha relação.

Já não é hora de a opinião pública encarar fatos como esse com mais normalidade?
Daniela Mercury - 
Se falássemos mais claramente sobre tudo no nosso cotidiano e se não houvesse uma incompreensão do que é o amor entre duas mulheres ou entre dois homens, se fôssemos educados com a consciência dos nossos direitos e das leis que nos protegem como cidadãos, tudo seria diferente. Infelizmente, essa não é a realidade. Espero que daqui para frente o casamento entre mulheres ou entre homens seja tratado de forma natural.

Sua revelação pode ser encarada como uma afronta às posturas do deputado Marco Feliciano (PSC) e da cantora Joelma?
Daniela Mercury - 
O deputado Feliciano é despreparado para representar a nossa sociedade. Suas afirmações demonstram a falta de consciência de que um deputado, como qualquer cidadão, deve respeitar a Constituição e os códigos de convivência universais estabelecidos. Sobre Joelma, eu sinto muito que ela ache que ser gay é um problema.

O antropólogo Luiz Mott diz que seria bom que outras cantoras gays não assumidas a usassem como exemplo porque “quem não levanta a bandeira carrega a cruz”. Concorda com isso?
Daniela Mercury - 
Minha primeira resposta deixa claro: ou se assume o ônus de quebrar padrões ou você vive numa posição de discriminado.

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